
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avisaram a integrantes do governo Lula que a pauta-bomba do Senado pode ser considerada inconstitucional em eventual julgamento na corte.
O tribunal tem precedentes recentes favoráveis ao governo, como no caso das leis que estabeleceram o piso nacional da enfermagem e que prorrogaram a desoneração da folha de pagamento.
O Palácio do Planalto avalia entrar com ações no Supremo caso as pautas-bomba sejam aprovadas pelo Congresso. A Fazenda estima em mais de R$ 1 trilhão o impacto das medidas em dez anos.
A tese central dos julgamentos do Supremo impede que o Congresso aprove propostas que acarretem em aumento de gastos sem prever sua fonte de custeio.
Na discussão sobre o piso da enfermagem, o Supremo deu autonomia para os estados adotarem a nova base salarial apenas se a União repassar os recursos.
O ministro Gilmar Mendes escreveu sobre o assunto nas redes sociais. Ele disse que desde 2022 a legislação impede a criação de novas despesas “sem previsão de fontes orçamentárias e financeiras”.
“São essas mesmas razões que explicam a possibilidade de os estados fixarem pisos salariais regionais. Cuida-se do reconhecimento de que as realidades fáticas e orçamentárias locais são distintas e merecem tratamento diferenciado”, acrescentou.
Pisos e dívidas
A pauta-bomba em análise no Senado é composta por propostas com forte impacto fiscal. A principal delas define regras para a renegociação de dívidas rurais —texto aprovado pelo Senado na quarta (10) e que volta à Câmara.
As propostas também incluem a fixação de pisos salariais para diversas categorias, como médicos, dentistas e garis.
Outro projeto de lei amplia o alcance da imunidade tributária para templos religiosos, isentando-os do pagamento de impostos sobre consumo.