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Mendonça determina transferência de Vorcaro para Papudinha

Mendonça determina transferência de Vorcaro para Papudinha
25.06.2026     Fonte: SBT

O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (25) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal (PF) para uma cela no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

A decisão segue a recusa à segunda proposta de colaboração premiada de Vorcaro em 11 de junho, considerada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como limitada a fatos que já eram de conhecimento dos investigadores nos achados da Compliance Zero.

Vorcaro irá para um espaço no 19º Batalhão da Polícia Militar, a Papudinha, mesma área em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve preso antes de passar a cumprir regime domiciliar — mas não haverá qualquer contato entre os dois na prisão. Segundo decisão do ministro André Mendonça, a PF deve realizar a transferência no prazo de 24 horas. A mudança esfria, por ora, a possibilidade de negociação de uma terceira tentativa de delação.

O ex-banqueiro está preso desde 4 de março. A investigação apura a existência dos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças, invasão de dispositivos informáticos e obstrução de investigações. Outro ramo também esmiúça a teia de relações construída por Vorcaro com altas autoridades da República. Figuras como os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA) já foram alvo em diferentes fases da Compliance Zero, em um indício de que os contatos do ex-banqueiro superavam divisões entre oposição e governo.

No curso das negociações da colaboração premiada, Vorcaro trocou sua equipe de defesa mais de uma vez. Primeiro saiu o criminalista Roberto Podval, por incômodos com o processo da delação. Após a recusa à primeira proposta de colaboração, foi a vez de José Luís Oliveira Lima, o Juca, pedir para sair do time de advogados de Vorcaro. O atual advogado é o mineiro Sérgio Leonardo.

Conflito no STF

A concentração de ações sobre o Master no gabinete de André Mendonça criou um incômodo no Supremo, sobretudo na figura do decano da Corte, Gilmar Mendes. A guerra velada entre os ministros ficou clara na última semana, quando Gilmar colocou em votação o pedido de prisão preventiva do pai e do primo do ex-banqueiro – respectivamente, Henrique e Felipe Vorcaro. Na sequência, André Mendonça, relator do caso Master, liberou o sigilo de centenas de páginas de documentos sobre o caso.

Na segunda-feira (22), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Gilmar criticou o que considera ser uma violação à lei de colaborações premiadas da parte de Mendonça, que disse ter sido procurado por um advogado das partes com uma proposta de delação, que terminou recusada. O decano considera que o episódio foi “um erro crasso” de desvirtuação da função do juiz e aprofunda os paralelos do caso Master com o que considera terem sido abusos da Justiça durante a Lava Jato.