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Morte de ciclista atropelada por juiz aposentado que dirigia com garota de programa no colo completa 1 ano e processo está em fase de audiências

Morte de ciclista atropelada por juiz aposentado que dirigia com garota de programa no colo completa 1 ano e processo está em fase de audiências
24.07.2026     Fonte: G1

Um ano após a morte da ciclista Thais Bonatti, de 30 anos, atingida pela caminhonete de um juiz aposentado que dirigia embriagado e com uma garota de programa no colo, o processo judicial contra os réus segue na fase de audiências.

O atropelamento ocorreu em 24 de julho de 2025, quando a vítima seguia para o trabalho de bicicleta por uma avenida em Araçatuba (SP). Ela foi internada com traumatismo craniano e fratura na bacia, mas morreu na madrugada do dia 26.

Em 17 de julho deste ano, foi realizada a terceira audiência de instrução do caso. Segundo apurado pela TV TEM, a sessão foi 100% online e durou aproximadamente sete horas.

Na ocasião, o juiz responsável pelo julgamento ouviu duas testemunhas de defesa e realizou o interrogatório dos dois réus: a garota de programa, Carolina Silva de Almeida, e o juiz aposentado, Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior, de 62 anos. O delegado que instaurou o inquérito policial também havia sido convocado como testemunha, mas não compareceu.

Conforme informações obtidas pela produção da TV TEM, o juiz aposentado confirmou, em depoimento, que havia passado a noite em uma boate com algumas mulheres, para as quais realizou pagamentos. Fernando negou o consumo de bebida alcoólica e classificou a rotatória onde o atropelamento ocorreu como um local de risco para acidentes. O réu ainda negou que a garota de programa estivesse em seu colo enquanto ele dirigia a caminhonete.

Por sua vez, Carolina negou que o juiz aposentado tenha pedido para ela assumir a direção antes do atropelamento. A mulher ainda revelou à Justiça que havia conhecido Fernando por meio de um aplicativo. A garota de programa ainda informou que permaneceu com o acusado até o momento em que ele fez o acerto de contas na boate. Em seguida, a ré disse que o juiz aposentado lhe ofereceu uma carona até sua casa. Durante o trajeto, a ciclista Thais Bonatti foi atingida pela caminhonete. O g1 tenta novo contato com a defesa dos réus.

Relembre o caso

O atropelamento aconteceu na rotatória da Avenida Waldemar Alves. A ciclista estava a caminho do trabalho quando foi atingida pela caminhonete dirigida pelo juiz aposentado.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), Fernando havia saído de uma boate e, após o atropelamento, foi submetido a um exame clínico na Delegacia de Polícia, que atestou o estado de embriaguez.

Ele chegou a ser preso por lesão corporal culposa, mas passou por audiência de custódia, pagou fiança de R$ 40 mil e conseguiu o direito de responder ao processo em liberdade, além de ter a habilitação suspensa.

Câmeras de segurança flagraram o veículo circulando na contramão antes do atropelamento.

O relato de testemunhas e a investigação apontaram que Fernando dirigia com Carolina, que estava praticamente nua, sentada em seu colo no momento do impacto.

A perícia também indicou que o veículo atingiu a ciclista sem qualquer reação de frenagem, o que sugere que a visão do motorista estava totalmente encoberta.

Mudança para homicídio doloso

Com a morte da ciclista e o avanço das investigações, o promotor de Justiça Adelmo Pinho denunciou o ex-juiz e a passageira por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, com a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Para o MP, Carolina contribuiu diretamente para o resultado ao sentar-se no colo do motorista com o veículo em movimento, potencializando o risco e a perda de controle da caminhonete. A Justiça aceitou a denúncia e ambos tornaram-se réus por homicídio doloso.

Versões conflitantes

Em entrevista concedida à TV TEM em novembro de 2025, Fernando negou estar embriagado, afirmando ter consumido apenas duas cervejas e doses de tequila, o que, segundo ele, não alterou seus sentidos.

Na ocasião, o juiz afirmou que não se lembrava do exato instante do atropelamento e disse que, ao vir as imagens de câmeras de segurança, percebeu que Thaís teria surgido por um "ponto à esquerda", o que, segundo ele, justificaria não ter avistado a ciclista.

As declarações foram rebatidas pela família da vítima. À época, William Aparecido de Andrade, irmão de Thais, contestou a versão do magistrado aposentado:

"Ele fala que não viu, obviamente que ele não viu mesmo a minha irmã. Com uma pessoa dirigindo com outra pessoa no colo, não se tem visão nenhuma. Não faz sentido, ele realmente não viu mesmo, não existe 'ponto cego' ali", afirmou o irmão.