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Criadores de vacas leiteiras usam ventilador e umidificador para evitar estresse térmico no noroeste de SP

Criadores de vacas leiteiras usam ventilador e umidificador para evitar estresse térmico no noroeste de SP
17.08.2026     Fonte: G1

As altas temperaturas e os baixos níveis da umidade relativa do ar registrados nos últimos dias na região de São José do Rio Preto(SP) exigem atenção redobrada não só com grupos de risco, como idosos e crianças, mas também com os animais.

Na Expo Rio Preto, por exemplo, o Recinto de Exposições "Alberto Bertelli Lucatto" precisou ser adaptado com ventiladores e umidificadores de ar para garantir o bem-estar e proteger o rebanho. Neste domingo (16), o evento entra na etapa final com o julgamento de raças leiteiras, consideradas sensíveis à amplitude térmica.

Entre os pecuaristas expositores está Gerson Sara, que também é médico veterinário. Em entrevista ao g1, ele explicou que o uso do sistema de refrigeração é crucial para evitar o estresse térmico, fator que afeta diretamente a produtividade das vacas leiteiras.

"Ao contrário do que muita gente pensa, a vaca leiteira é muito sensível, ela só produz bem quando ela é bem cuidada, tem que ser uma dieta balanceada correta, ela tem que ter um carinho", explica o veterinário.

Gerson destaca ainda que a produção eficiente do leite é baseada em três pilares: a genética do animal, o ambiente favorável e a nutrição. Manter o clima ameno dentro dos galpões se torna o fator decisivo durante o ápice da fase de lactação das vacas, além de manter uma dieta supervisionada.

"É muito jeito, muito cuidado e é importante mantê-las refrigeradas para que elas possam expressar o máximo do potencial".

O pecuarista relata que já aplica as técnicas de manejo nos barracões de sua propriedade rural e em áreas cobertas, ressaltando atenção aos detalhes para não gerar novos problemas à saúde dos animais, entre eles:

Sombra e ventilação: A área coberta é fundamental para garantir o descanso do gado longe do sol direto;

Cuidados com a cama: Embora a umidificação do ar ajude no controle do calor, a cama onde o animal se deita precisa ser mantida seca. A umidade excessiva no solo pode ocasionar problemas nos cascos e assaduras;

Hidratação constante: A produção de leite exige um alto consumo de água, sendo indispensável a oferta de água limpa e à vontade.

Conforto térmico

À reportagem, o biólogo e doutor em zoologia Thiago Davanso explicou que, com as altas temperaturas, os bovinos produzem e absorvem uma quantidade expressiva de calor, dependendo de um esforço constante do organismo para manter o equilíbrio térmico.

"Se o animal não consegue eliminar esse calor, o organismo funciona como uma máquina que sofre superaquecimento e começa a ter danos. O sol excessivo, sem áreas de sombra, associado a altas temperaturas e à baixa umidade, dificulta esse equilíbrio", destaca o biólogo.

Entre os sinais de estresse, o especialista ressalta que os produtores devem ficar atentos à respiração ofegante, àboca aberta e pescoço estendido.

"A tendência, principalmente em países tropicais como o Brasil, é que se use cada vez mais estratégias e recursos para melhorar o bem-estar animal diante das mudanças climáticas", conclui.

Baixa umidade do ar

Na quarta-feira (12), cidades da região noroeste de SP entraram em alerta vermelho devido à baixa umidade relativa do ar e às altas temperaturas. A onda de calor registrada entre quinta (13) e sexta-feira (14) causou a elevação das temperaturas em aproximadamente 7ºC acima da média esperada para esta estação do inverno.

De acordo com medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), Jales (SP) e Santa Fé do Sul (SP) tiveram a tarde mais seca do estado, com umidade em 23% na quarta-feira.