
Pecuaristas da região de Tanabi, no interior de São Paulo, relatam prejuízos devido à morte de animais após ataques da mosca-do-estábulo.
Conforme os produtores rurais, as moscas são atraídas pela vinhaça usada pela Tereos, que é uma usina sucroalcooleira instalada na região. Em nota enviada à TV TEM na manhã desta quarta-feira (19), a empresa informou que acompanha as reclamações sobre a proliferação de moscas na região e que tem adotado medidas preventivas para tentar reduzir a presença dos insetos.
Segundo a companhia, o controle depende de uma atuação conjunta entre empresa, comunidade local, pecuaristas, moradores e autoridades. A empresa afirmou ainda que tem compartilhado materiais educativos com a população, com informações sobre os diferentes tipos de moscas, seus hábitos e formas de prevenção.
A companhia também destacou que utiliza vinhaça em uma parcela relevante da produção como forma de manejo sustentável, reduzindo a dependência de fertilizantes minerais e aproveitando melhor os nutrientes. Segundo a empresa, a aplicação é feita regularmente e dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação vigente.
Na manhã desta terça-feira (18), cerca de 120 pessoas, entre agricultores e responsáveis por rebanhos, participaram de uma reunião na cidade para discutir os impactos à saúde e ao bem-estar do gado. João Tobias Pimentel Neto é um dos pecuaristas que sofreu com a mortandade das vacas leiteiras.
“O animal perde as forças, deita e não consegue se recuperar e vem a óbito. Ele vai ficando debilitado, vai definhando, vai perdendo peso. O problema é que naquele quadro que ele se encontra, a alimentação não é o suficiente para que ele se livre do ataque do mosquito. Então, ele não consegue se recuperar”, explica.
Ainda segundo o pecuarista, o rebanho fica concentrado em grupos para tentar se livrar dos ataques. Situação que acaba facilitando a ação das moscas.
“Os animais, durante os ataques, eles preferem ficar agrupados. Eles andam agrupados se defendendo, um ajudando o outro a se defender”, explica.
João diz ainda que outros animais e até mesmo os seres humanos têm sofrido com a presença excessiva da mosca-do-estábulo nas propriedades rurais.
“A mosca pica até o ser humano. Ela nos ataca também. Eu, por exemplo, estou tirando leite e sinto picadas. Não é só o gado que ela ataca, ela ataca os cachorros, ela ataca os porcos, ela se espalha para todo lugar”, comenta.
Mosca-do-estábulo
Procurado pelo g1, o médico veterinário João Morelli, doutor em clínica médica, explica que o termo mosca-do-estábulo faz referência ao local onde esses insetos foram localizados e identificados pela primeira vez.
“O nome científico da mosca chama-se Stomoxys calcitrans, pois ela se disseminou em propriedades rurais e acaba se reproduzindo em ambientes onde há uma grande quantidade de matéria orgânica. Na região, ela se proliferou em virtude da cana-de-açúcar. Aquela vinhaça, comum nas plantações de cana, é um meio para disseminação e criação dessas moscas. Outro fator que favorece bastante é as temperaturas elevadas”, explica.
Morelli também esclarece que a mosca ataca os animais pois se alimenta de sangue.
“Como são moscas hematófagas, são moscas picadoras, elas vão até o animal, picam o animal e saem do animal. Isso faz com que o animal perca peso, diminua sua alimentação e, se forem vacas de produção de leite, acaba diminuindo bastante a produção leiteira. É um prejuízo grande para o proprietário, não só pela morte, mas pela perda de peso e também pela diminuição da produção do leite”, finaliza o veterinário.