
A Polícia Federal (PF) indicou nesta quinta-feira (10) que Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repassou ao menos R$ 1 milhão para a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse" e controlado pela empresária Karina Ferreira da Gama.
A informação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que levantou o sigilo das investigações sobre o financiamento do filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As movimentações, citadas como “atípicas” pela PF, foram identificadas por meio de relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) entre novembro e dezembro de 2025. O filme foi gravado entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, conforme a Ancine (Agência Nacional do Cinema), principalmente em São Paulo.
Conhecido como “Marcellão", o marqueteiro deixou a campanha em maio, justamente em meio à ebulição do caso “Dark Horse” em reportagens do site Intercept Brasil. Ele é dono e fundador da agência de publicidade Cálix Propaganda.
Além de Lopes, a Coaf também identificou, entre outras transferências, uma de R$ 645,4 mil feita pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), principal alvo da operação Make Up nesta quinta. Frias é um dos produtores-executivos de “Dark Horse" e também é apontado como destinatário de outros R$ 2 milhões para uma ONG igualmente comandada por Karina Gama.
Ao todo, os repasses para a produtora totalizaram pouco mais de R$ 19 milhões, dos quais R$ 8,9 milhões foram movimentados a crédito (pagamento futuro) e R$ 10,1 milhões a débito (de gasto imediato).
“A Go Up Entertainment, por sua vez, movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que recebeu recursos de diversos remetentes, dentre eles a NTT Brasil (R$ 750 mil) e o próprio deputado federal Mário Frias (R$ 645,4 mil), sendo que as filmagens da cinebiografia ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, coincidindo temporalmente com as movimentações financeiras analisadas”, diz a decisão.
O SBT News procurou Marcello de Oliveira Lopes, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.