
O ex-prefeito de Populina (SP) e locutor de rodeios, Adauto Severo, foi preso na manhã desta terça-feira (27) por posse irregular de um revólver durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no município.
A ação faz parte da Operação "Farra do Peão" para investigar um suposto esquema criminoso de fraudes em licitações, desvio de verbas públicas e enriquecimento ilícito ligado à Prefeitura de Populina.
Os promotores do Gaeco, com apoio das equipes do 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Polícia Militar Ambiental e da Receita Estadual, cumpriram 13 mandados de busca e apreensão em Populina e Suzanápolis (SP), incluindo em propriedades rurais ligadas ao ex-prefeito.
A prisão em flagrante ocorreu após os policiais encontrarem um revólver calibre .38 sem documentação durante buscas na casa dele. Adauto Severo era um dos alvos das ordens judiciais de busca.
A Justiça mandou bloquear até R$ 5 milhões e tornou indisponíveis fazendas e sítios suspeitos de terem sido comprados com o dinheiro desviado. Ele foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Populina. O g1 tenta contato com a defesa do investigado.
Como funcionava o esquema
Em nota enviada à reportagem da TV TEM, o Ministério Público esclareceu como os suspeitos agiam. Entenda abaixo.
Uso de "laranja": Todos os anos, a prefeitura repassava verba pública para uma entidade privada organizar a Festa do Peão de Boiadeiro da cidade. No papel, a associação estava em nome de um terceiro, mas, na prática, quem a comandava era o então prefeito, segundo as investigações.
Grupo ficava com o lucro: Os custos do evento eram arcados com o dinheiro dos cofres públicos, enquanto os lucros eram embolsados pelo ex-prefeito, por seus irmãos e por aliados políticos.
Notas fiscais frias: A investigação apontou ainda que empresas ligadas a pessoas do grupo emitiam notas fiscais para a prefeitura cobrando por serviços que nunca foram prestados.
Enriquecimento e compra de fazendas: Durante o mandato, o patrimônio particular do ex-prefeito e de seus familiares cresceu de forma desproporcional à renda oficialmente declarada, com forte suspeita de que os suspeitos tenham comprado propriedades rurais para lavar o dinheiro desviado.
O grupo é investigado por associação ou organização criminosa, desvio de verba pública e apropriação de bens, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.