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O que se sabe e o que falta esclarecer sobre a morte do homem que estava com pastor e mulher em motel

O que se sabe e o que falta esclarecer sobre a morte do homem que estava com pastor e mulher em motel
29.10.2026     Fonte: G1

A morte de Fabrício Augusto das Neves aos 33 anos, que estava em um motel em Catanduva, no interior de São Paulo, acompanhado de um pastor e de uma mulher, é alvo de investigação pela Polícia Civil.

No dia 12 de outubro, Fabrício foi ao local com Ana Lígia Oliveira do Carmo, de 26 anos, e com o pastor Alex Sandro Soares Zeca, de 47 anos, que fugiu após usar o carro para derrubar o portão do estabelecimento. Em nota, o Motel Psiu informou que preza pelo sigilo dos clientes e dos atos dentro da empresa.

Como o trio chegou ao motel?

O trio chegou ao motel por volta das 17h50 do dia 12 de outubro em um carro que pertence ao pastor.

Em depoimento à polícia, Ana Lígia informou que, antes de ir ao estabelecimento, ela se escondeu no porta-malas do veículo. A mulher disse também que conheceu Fabrício cerca de 15 dias antes da morte e, desde então, eles tiveram relações sexuais casuais.

No caso de Alex Sandro, a mulher relatou que o conheceu na casa de Fabrício, onde estava sendo feita uma confraternização de Dia das Crianças. O pastor e o homem levaram Ana Lígia para casa, de carro, no final do evento e seguiram de lá para um bar, no bairro Bom Pastor. No fim da tarde, ela encontrou Fabrício e Alex no comércio.

Segundo o depoimento, ela entrou no veículo sem que eles percebessem, enquanto eles compravam vinho no bar. Durante o trajeto até o motel, a mulher conseguiu sair do porta-malas e se sentar no banco traseiro do carro, que era dirigido por Fabrício. Ao perceber a presença dela, Fabrício perguntou o que estava fazendo ali, mas Ana Lígia disse que desconversou. Os três seguiram, então, para o local.

O que aconteceu no quarto?

No depoimento, a mulher contou que o trio consumiu bebida alcoólica no motel e relatou o uso de maconha e cocaína, que teria sido oferecida pelo pastor. Pouco depois, Fabrício disse que estava passando mal e entrou no banheiro da suíte. Enquanto isso, a mulher afirmou ter mantido relação sexual com Alex.

Na sequência, Fabrício retornou e se sentou em uma cadeira. A mulher chegou a convidar o homem para se juntar a ela e o pastor na cama, mas ele recusou. Segundo o documento, em seguida, Fabrício voltou para o banheiro e pediu para ficar sozinho, alegando que não estava se sentindo bem.

A mulher contou que recolheu seus pertences e foi aguardar no carro, pois pretendia deixar o local.

Como o corpo foi encontrado?

Ao ouvir barulhos vindos da suíte, Ana Lígia retornou ao local. Ao entrar no quarto, ela afirma ter encontrado Alex sobre Fabrício, tentando reanimá-lo e colocando água em sua boca. A vítima apresentava sinais de convulsão e expelia água e espuma pela boca.

Ainda conforme o depoimento, a mulher apoiou a cabeça de Fabrício em seu colo, percebeu que ele estava com a pele arroxeada e usou o celular dele para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Como o pastor fugiu do motel?

Ao ver que Fabrício estava inconsciente, Alex Sandro afirmou que precisava deixar o local. Ele tentou quitar a conta do motel, mas foi impedido pelos funcionários, pois o quarto ainda estava ocupado. Em seguida, o pastor arrombou o portão de saída com o carro e fugiu.

Como foi feito o socorro médico?

A equipe do Samu fez manobras de reanimação por aproximadamente 30 minutos, mas a morte de Fabrício foi constatada dentro da suíte. O corpo dele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para o exame necroscópico.

Qual foi a causa da morte?

 

Até a última atualização desta reportagem, a causa do óbito não havia sido esclarecida. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Catanduva, com registro inicialmente de morte suspeita, dano, fraude processual, outras fraudes e porte de drogas para consumo pessoal. As circunstâncias e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos dependem da investigação.

A reportagem questionou a Polícia Civil, por telefone e por mensagens via aplicativo, sobre o andamento da investigação e se Alex prestou depoimento sobre o ocorrido no motel, mas não obteve retorno.

Quem é o pastor?

Alex Sandro está à frente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Adonai, fundada em 2015 no município. Ele é casado e tem uma filha. Alex também preside a Comunidade Terapêutica de Paraíso Adonai, entidade voltada a trabalhos sociais e ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Em 19 de outubro, o pastor foi detido por suspeita de violência doméstica contra sua esposa. Ao chegar à delegacia, os policiais constataram que ele é investigado no caso da morte de Fabricio. Após ser ouvido, o suspeito foi liberado.

 

Em novembro de 2025, Alex já havia sido preso em flagrante no bairro Jardim Bela Vista, em Catanduva, depois que sua filha, à época com 11 anos, ligou para o número 190 e denunciou que o pai estava armado e agredia a mãe. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a esposa do suspeito com ferimentos e sangramento na boca.

À época, a vítima relatou à polícia que o marido fazia uso contínuo de drogas há quatro dias. No guarda-roupa da casa da família, a PM apreendeu um revólver calibre 22 carregado e sem documentação.