
O proprietário de uma loja de veículos e seu gerente tornaram-se réus na Justiça após serem acusados de aplicar uma série de golpes contra clientes em São José do Rio Preto. A denúncia, aceita após investigações da Polícia Civil, aponta que a dupla cometeu pelo menos 29 estelionatos, gerando um prejuízo estimado em R$ 2 milhões. O dono do estabelecimento, Rodrigo Junior Veronezi, foi detido em março na cidade de Goiânia, enquanto o gerente, Emmanuel Benetiz, foi preso em Rio Preto em abril, após o descumprimento de medidas judiciais.
De acordo com o inquérito policial, o esquema funcionava por meio da captação de clientes na internet, feita principalmente pelo gerente, que convencia proprietários a deixarem seus carros na garagem em regime de consignação. Uma vez com os veículos, o empresário realizava financiamentos sem a permissão dos donos e falsificava assinaturas em cartórios para transferir a propriedade de forma irregular. Os carros eram vendidos rapidamente, mas o dinheiro nunca era repassado aos antigos proprietários, deixando também os novos compradores em uma situação difícil, já que não conseguiam regularizar a documentação dos automóveis.
A dimensão do caso é ampla, com mais de 130 pessoas procurando a delegacia para relatar que foram enganadas após encontrarem a garagem abandonada. Além dos crimes de estelionato comum, os investigadores identificaram o uso de fraudes eletrônicas em 22 das ocorrências, caracterizadas pelo uso de tecnologia para enganar as vítimas no ambiente digital. O delegado responsável pelo caso, Jonathan Marcondes, informou que o material colhido nas investigações também foi enviado à Polícia Federal para verificar se houve danos ao sistema financeiro nacional.
Com o avanço dos processos, os réus podem responder ainda por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa. Enquanto a dupla permanece à disposição do Judiciário, a Polícia Civil continua apurando se existem outras pessoas envolvidas no esquema ou se o número de vítimas pode ser ainda maior. A denúncia oferecida pelo Ministério Público agora segue para as fases de instrução e julgamento, onde serão ouvidas as testemunhas e apresentadas as defesas dos acusados.