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Prefeito de Rio Preto sanciona lei que garante remissão do IPTU para 7 mil lotes do Auferville

Prefeito de Rio Preto sanciona lei que garante remissão do IPTU para 7 mil lotes do Auferville
30.06.2026     Fonte: G1

O prefeito de São José do Rio Preto (SP), Fábio Cândido (PL), sancionou, nesta segunda-feira (29), uma lei que garante a remissão do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para 7 mil lotes do Auferville.

A medida ajudará a resolver um dos impasses jurídicos e administrativos do empreendimento lançado no final da década de 1990, que até hoje possui problemas de infraestrutura, segundo o poder público.

A nova legislação possibilita o perdão fiscal referente ao período de 2000 a 2016, aos proprietários dos lotes do Auferville. O local também é conhecido pela população como antigo Offer B.

Segundo a prefeitura, essa remissão era uma das condições que faltavam para que uma empresa privada, vencedora de um processo competitivo na Justiça, assumisse a responsabilidade de executar a infraestrutura completa do empreendimento.

O impasse histórico

A série de lotes, que engloba os loteamentos Auferville 1, 2, 3, 4 e 5, foi lançada na década de 1990 e abandonada sem a infraestrutura básica. Em janeiro de 2019, após 18 anos de tramitação judicial, a Justiça condenou em definitivo a construtora e a prefeitura a realizarem as obras em um prazo de três anos.

O prazo venceu sem que as intervenções fossem concluídas. À época da condenação, estimava-se que as obras custariam em torno de R$ 100 milhões. No entanto, estudos técnicos aprofundados revelaram que o rombo real superava os R$ 500 milhões, valor que a prefeitura alegou ser inviável arcar com esses custos sem comprometer o orçamento público. O grupo que responde pela construtora entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 363 milhões, congelando os bens e atrasando o andamento do processo.

Como vai funcionar agora

Com a sanção da lei, a saída jurídica encontrada foi transferir o custo e o risco da obra para a iniciativa privada, usando os próprios terrenos como moeda de troca. Entenda abaixo.

Obra por lotes: A prefeitura não pagará em dinheiro pelas obras de R$ 500 milhões. Em vez disso, a construtora Coplan assumirá a propriedade de 3,8 mil lotes que estavam vinculados à construtora falida ou em recuperação judicial do empreendimento original para comercializá-los;

Perdão do IPTU atrelado ao asfalto: O perdão dos impostos atrasados concedido aos proprietários não será automático. A lei prevê que a anistia da dívida só terá validade oficial conforme as etapas da obra de infraestrutura forem sendo entregues pela construtora;

Planejamento das obras: Devido à alta complexidade e ao tamanho da área, a empresa terá um prazo de até 10 anos para concluir todas as intervenções de urbanização.

Com a medida, os proprietários dos lotes remanescentes, muitos dos quais dependiam de caminhões-pipa do Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) para ter acesso à água potável, ganham a segurança jurídica para obter suas escrituras, construir e residir legalmente no local.