
Os atores da peça "Khalil Khalil", naturais da Palestina, enfrentaram uma rotina exaustiva com conexões em aeroportos e longos voos durante a viagem ao Brasil. Nesta sexta-feira (24) e no sábado (25), eles se apresentam no Festival Internacional de Teatro em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, que reúne companhias brasileiras e estrangeiras.
A peça conta a história de Khalil Albatran, o qual recebeu o mesmo nome de seu irmão mais velho, que morreu em 1989, aos 11 anos, como mártir durante a Primeira Intifada Palestina, onda de protestos e levantes populares contra a ocupação israelense ocorrida entre 1987 e 1993.
Esta é a primeira vez na história que uma peça de origem palestina será exibida na programação do FIT e também a primeira vez que o grupo se apresenta em solo brasileiro.
Antes de desembarcarem em São José do Rio Preto, eles se apresentaram em outros festivais internacionais como o PuSh International Performing Arts Festival, em Vancouver, no Canadá.
"Eu sempre disse que cada lugar tem a sua própria particularidade, mas o Brasil está presente no meu imaginário desde a infância. Sempre quis conhecer o povo brasileiro e encontrar essas pessoas pessoalmente. Eu só as via pela televisão. Então, estar aqui agora me deixa maravilhado. Este lugar é especial para mim”, comentou Khalil Albatran, ator principal da peça.
Os atores disseram à reportagem que gostaram da cidade e esperam levar os espectadores à reflexão por meio do espetáculo.
A peça
Khalil cresceu sendo tratado por familiares e vizinhos não como um indivíduo único, mas como a continuação viva do irmão que ele sequer chegou a conhecer.
O ponto de virada da sua vida e gancho dramático da peça acontece quando ele encontra o seu próprio nome gravado em um túmulo na sua vila. Essa descoberta desencadeia um dilema existencial: ele é dono do próprio destino ou está fadado a viver sob a sombra e as expectativas de um morto?
"Acho isso muito importante porque todos os estereótipos sobre a Palestina vêm das notícias. Existe uma outra história sobre a nossa humanidade. As pessoas querem nos ver como heróis ou vítimas, mas nós somos seres humanos. Existe vida lá", ressaltou Bilal Alkhatib codiretor da peça.
Experiência sensorial
O espetáculo une dança, atuação solo, composição musical e projeções de vídeo. Em cena, Khalil utiliza gravações de áudios encontradas por ele, nas quais a voz do irmão falecido aparece cantando músicas nacionais palestinas ao lado de outras crianças da época. Veja abaixo os horários das apresentações.
Em entrevista ao g1, Bilal disse que o conjunto de cada elemento torna a peça impactante para o público.
"Cada cena é única por si só. Utilizamos diferentes linguagens e recursos de mídia ao longo de toda a peça. Não sei dizer qual é a cena mais bonita e qual é a mais difícil. Quem vai decidir isso é o público", explicou.
Programação da peça
Serão exibidas duas sessões da peça na programação do FIT.
Espetáculo: Khalil Khalil (Palestina);
Quando: Sexta-feira (24) e Sábado (25);
Onde: Teatro Sesc Rio Preto;
Entrada: Gratuita (com reserva/retirada prévia de ingressos)
Para conferir mais informações sobre esta peça e outras do FIT basta acessar o site oficial do evento.