logo
Banner

NOTÍCIAS

Home / Notícias / região noroeste

Embriaguez ao volante é causa de 70% das mortes no trânsito de Rio Preto, diz SSP

Embriaguez ao volante é causa de 70% das mortes no trânsito de Rio Preto, diz SSP
30.07.2026     Fonte: G1

Mesmo após a Lei Seca completar 18 anos de vigência no Brasil, a combinação perigosa entre álcool e direção continua sendo a principal causa de tragédias nas vias urbanas e rodovias.

Em São José do Rio Preto (SP), 70% das mortes registradas no trânsito foram provocadas por motoristas embriagados, segundo um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).

Apesar do rigor das punições, que preveem suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), multa de valor gravíssimo e detenção, as estatísticas escondem histórias de famílias que convivem diariamente com o trauma, a dor e o luto da perda súbita.

Em fevereiro de 2025, o pastor Ademir Francisco Silva de Souza, de 49 anos, voltava para casa de moto após um culto quando foi atingido violentamente por uma caminhonete em um cruzamento na Zona Norte da cidade.

Segundo testemunhas, a condutora do veículo estava bêbada e furou o sinal vermelho. A viúva de Ademir, Anyldes Ferreira de Souza, estava de carro pelas redondezas e presenciou o acidente de longe, sem imaginar que a vítima era o próprio marido.

"Eu vi quando bateu, quando o corpo voou. Me desesperei e passei mal, mas em nenhum momento passou pela minha cabeça que fosse ele", relata Anyldes em entrevista à TV TEM.

A confirmação do óbito veio durante a madrugada, após inúmeras tentativas frustradas de ligar para o celular do marido. O telefone estava com os policiais que atuaram no resgate.

Anyldes e a irmã decidiram ir até o local do acidente para verificar o que havia ocorrido. "Falaram que era um homem moreno, forte e que, pelo jeito, era pastor, porque tinha uma Bíblia no chão. Meu mundo acabou ali", relembra a viúva.

A motorista, de 34 anos, que atropelou Ademir chegou a ser presa, mas foi liberada após cinco dias, e, até a última atualização desta reportagem, respondia ao processo em liberdade.

Para a família, o sentimento é de revolta. "Eu não creio mais na Justiça brasileira. Estou bastante desanimada, porque hoje as pessoas impunes têm mais privilégios do que a família da vítima que sofre", finaliza a viúva.

Para o jovem Igor Cesar da Silva Pacheco, de 20 anos, o susto passou, mas as lembranças do trauma permanecem. Ele foi atropelado na faixa de pedestre por um motorista embriagado e sem habilitação em um cruzamento da Avenida Alberto Andaló, por volta das 22h, quando voltava do trabalho acompanhado de dois amigos, que tiveram ferimentos leves.

O condutor do automóvel, o auxiliar de enfermagem Nivaldo Alex dos Santos, de 29 anos, foi preso em flagrante. A prisão foi convertida em preventiva pela Justiça.

Na ocasião, Igor teve uma convulsão, sofreu traumatismo craniano, teve uma perfuração no pulmão e precisou ser intubado. Ele recebeu alta do Hospital de Base (HB) no dia 16 de julho, após ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A mãe do jovem, Adriana César da Silva, relembra o desespero e a indignação ao descobrir a causa do acidente.

"Saber que o filho foi atropelado por um incompetente que bebeu a tarde toda para sair de noite e pegar um carro... Achei que eu ia perder meu menino. Graças a Deus e pelas orações de todos, ele saiu dessa", desabafa Adriana.

Números da imprudência

Os dados divulgados pela SSP detalham a gravidade do cenário nos últimos 12 meses em São José do Rio Preto. 

2.145 acidentes de trânsito registrados no total;

50 mortes decorrentes desses acidentes;

35 dessas mortes (os 70% citados) tiveram relação direta com a embriaguez ao volante.

Segundo o promotor de Justiça Horival Marques de Freitas, a embriaguez raramente é uma infração isolada. A perda de reflexos e o excesso de autoconfiança gerados pelo consumo de álcool costumam resultar em um "combo" de infrações.

"Normalmente nós percebemos esses elementos aliados ao excesso de velocidade, pessoas ziguezagueando, realizando manobras proibidas, conduzindo na contramão e até transportando excesso de passageiros sem cinto de segurança", alerta o promotor.

 

Realidade brasileira

Freitas também destacou que o Brasil possui um índice de mortes no trânsito cerca de seis a sete vezes maior do que o registrado em países europeus. Para reverter o quadro e garantir que as penalidades fixadas pela Lei Seca tenham reflexo direto nas ruas, ele defende a combinação de educação e punição severa.

"É importante que haja campanhas de conscientização sempre, especialmente voltadas a crianças e jovens que estão se candidatando a se tornarem motoristas. E, claro, é fundamental que haja fiscalização e um sistema de persecução penal eficiente para garantir que a impunidade seja reduzida ao mínimo possível", conclui.