
Um relatório enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as investigações do caso Master mostra que o banqueiro Daniel Vorcaro considerava ter três aliados dentro do governo Lula: o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner; o então ministro da Casa Civil, Rui Costa; e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
A menção foi feita durante uma conversa do banqueiro com um jornalista em agosto de 2025, época em que era negociada a compra do Master pelo BRB. Na troca de mensagens obtida pela PF, Vorcaro afirma que os três nomes do governo Lula estariam ao seu lado nas tratativas.
Segundo a PF, “tal elemento é relevante do ponto de vista investigativo, pois indica que o próprio VORCARO percebia o Senador [Jaques Wagner] como aliado político em operação de natureza essencialmente regulatória, sujeita a critérios técnicos do Banco Central, sugerindo que o alinhamento do parlamentar transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais”.
“Somos próximos do governo, igual irmãos Batista são”
O relatório aponta que Jaques Wagner atuaria como interlocutor dos interesses do Master junto ao governo. Em uma das trocas de mensagens entre o senador e o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, Jaques teria ficado encarregado de conversar com a então ministra da Cultura, Margareth Menezes, sobre o Instituto Terra Firme, fundado por Augusto.
Jaques também teria intermediado a relação de Augusto Lima com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e atuado no campo legislativo, apresentando e defendendo projetos de interesse do Master no Senado Federal. O relatório apresenta seis proposições do senador com possível interesse de instituições financeiras privadas.
Em uma conversa com Daniel Vorcaro, o diretor comercial do Master, Fernando de Goes Mascarenhas Filho, afirma existir proximidade entre o banco e o Governo Federal: "A única coisa que falaram é que somos próximos do governo, igual os irmãos Batista são. O que é verdade rsrs”. Vorcaro então responde dizendo que isso era positivo e que precisava mandar o material ao presidente Lula e à base aliada. O interlocutor diz, por fim, que iria encaminhar a mensagem para Jaques Wagner.
Em troca da relação de proximidade, Jaques teria sido favorecido com ingressos para o show da cantora Taylor Swift no valor de R$ 63 mil, além de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões. A PF ainda menciona o envio de presentes para o senador e viagens financiadas pelo banqueiro.
Outro lado
O SBT News entrou em contato com a assessoria do ex-ministro Rui Costa e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e aguarda o retorno. A assessoria da ministra Margareth Menezes também foi procurada.
Em nota, o senador Jaques Wagner afirmou ter “certeza de que vai provar sua inocência” em meio às investigações que ligam seu nome ao Banco Master.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, informou que "não participou de reunião com Augusto Lima no gabinete do senador Jaques Wagner no Senado".
A defesa do banqueiro Augusto Lima afirmou que não irá se pronunciar