
Fêmea da espécie sagui-de-tufo-preto foi encontrada no asfalto entre Orindiúva e Paulo de Faria (SP). Animal recebeu primeiros socorros com apoio de ONG e foi transferido para a Polícia Ambiental.
Na sequência, avó e neta seguiram viagem para Orindiúva. Todavia, na volta para casa, Ana Maria avistou novamente o sagui e outros bichos em volta dele. Sensibilizada, a mulher contou ao g1 que decidiu levar a macaca para sua residência a fim de socorrê-la.
"Sentimento de ajudar como se eu estivesse socorrendo um ser que estava sentindo muita dor. Não era gente, como estou acostumada a socorrer na minha profissão, mas ajudo independente de ser pessoa ou animal", relatou a motorista.
Reabilitação
Em casa, a motorista fez contato com André Renato, de 52 anos. Ele é professor e presidente de uma ONG de proteção animal sediada em Paulo de Faria (SP). Por telefone, o homem a orientou sobre os primeiros cuidados de hidratação e medicação até que ele pudesse recolher o animal.
Segundo André, a macaca fêmea estava muito fraca, abrindo apenas os olhos. Contudo, após receber água e cuidados ao longo da noite, começou a dar sinais de recuperação. Na manhã desta segunda-feira (31), a Prefeitura de Paulo de Faria se prontificou e realizou o transporte do primata até a Polícia Ambiental.
"Honestamente, achei que ela não fosse sobreviver. Mas ela tomou bastante água e, quando chegou à Polícia Ambiental, já estava se movimentando mais e tentando até sair da caixa", explicou André.
Uma segunda chance
O animal foi recolhido pela Polícia Ambiental de São José do Rio Preto (SP), a qual se comprometeu a fazer o tratamento necessário para o sagui e avaliar se ela terá condições de retornar à natureza. Segundo André, a suspeita é de que a macaca tenha sido atropelada.
“Por ter ficado muito tempo no sol, à beira da rodovia, ficou desidratada e ainda mais fraca. Quando chegou para nós, estava abrindo apenas os olhinhos, sem muitos movimentos. Honestamente, achei que ela não fosse sobreviver, mas, hoje cedo, ela estava se movimentando mais. Ela teve muita sorte”, disse o presidente da ONG.
O g1 tenta contato com a Polícia Ambiental para atualizar o estado de saúde do animal.
O professor também reforçou a necessidade de intervenções às margens da rodovia, como a implantação de alambrados que forcem a passagem dos animais por baixo da pista e a criação de passarelas suspensas para primatas.
Segundo André, além de preservar a fauna regional, tais medidas reduzem significativamente o risco de colisões graves e aumentam a segurança dos próprios motoristas.
Impasses no socorro
André Renato atua em resgate de animais há mais de 10 anos, principalmente de vítimas de acidentes em rodovias. “Esses animais têm uma taxa de mortalidade em resgates muito alta, boa parte das vezes já não há mais tempo", explicou o integrante da ONG.
Um dos principais fatores que influencia o auxílio a esses animais é a falta de suporte dos órgãos oficiais para atender às demandas na cidade, de acordo com o professor. Outro ponto relevante é a falta de instrução para a população sobre como agir diante da situação.
“Quando um animal desses é encontrado, não há informações corretas sobre acomo proceder. Muitas vezes, só os motoristas ou moradores entrarem em contato já aumenta as chances de resgate e sobrevivência desses animais. Nesse caso, em específico, tivemos a sorte de conseguir falar com a prefeitura e eles puderam levar o animal, mas nem sempre isso é possível”, explicou André.
André ainda conta que não há nenhum veterinário próximo à cidade que possa ajudar. Logo, esses animais ficam praticamente abandonados à própria sorte. A reportagem procurou a Prefeitura de Paulo de Faria, mas não obteve retorno.