
As mudanças climáticas já fazem parte da rotina das cidades. Ondas de calor, períodos de seca e chuvas intensas são cada vez mais frequentes e aumentam o desafio de preparar os municípios para eventos extremos.
Nesse cenário, a arborização urbana aparece como uma importante aliada. Além de oferecer sombra, as árvores reduzem a exposição direta à radiação solar e ajudam a criar ambientes mais confortáveis.
Em bairros de Tupã e Adamantina (SP), pesquisadores da Unesp estudam justamente esse efeito. As medições mostram a diferença provocada pela presença de árvores em dias de calor intenso.
Em dos testes, por volta de 13h, em um dia de sol forte, a temperatura do asfalto chega perto dos 70°C. Na sombra, o mesmo termômetro registra uma diferença superior a 30°C. Os estudos chamam a atenção para os efeitos das podas drásticas, que podem comprometer o desenvolvimento das plantas.
“A gente acaba olhando nessas podas drásticas, que acontece uma rebrota grande, uma quantidade de broto maior e isso requer mais nutrientes pra elas. A consequência é que as folhas envelhecem mais rápido e acabam caindo, ficando só o tronco da árvore”, explica Rodrigo Shioda, pesquisador e gestor ambiental.
A expectativa é que os resultados ajudem para o planejamento urbano e estratégias de enfrentamento das chamadas 'ilhas de calor', fenômeno associado ao aumento das temperaturas nas áreas urbanizadas.
Para Angélica Gois Morales, pesquisadora da Unesp, os dados científicos precisam chegar à população e ao poder público.
"A gente precisa levar essas dados científicos para comunidade e para gestão pública. É a comunidade que preserva sua árvore, mas também a gestão pública com leis que pensem no manejo e não só no plantio dela."
Quando o assunto é arborização, Marília (SP) aparece entre os destaques. Segundo dados do Censo do IBGE, 94,9% das vias públicas da cidade contam com cobertura de árvores. O índice é superior ao registrado em grandes capitais, como São Paulo, com 74,8%, e Rio de Janeiro, com 70,5%.
A cidade ocupa ainda a 12ª posição no ranking nacional das cidades mais arborizadas entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
O índice, porém, não significa que as árvores estejam distribuídas de maneira uniforme. Em algumas regiões, a cobertura vegetal é menor. Calçadas estreitas, redes aéreas, tubulações e o crescimento urbano estão entre os obstáculos para ampliar o plantio.
Por isso, especialistas defendem que a arborização seja planejada desde a implantação de novos espaços urbanos.
“As cidades precisam ser preparadas para receber arborização. Muitas vezes, um projeto de construção, loteamento ou avenidas não prevê exatamente a locação de árvores, que vão trazer principalmente conforto térmico”, explica o engenheiro florestal Pedro Paulo Diniz Epiphanio.
Uma das iniciativas para ampliar a arborização em Marília é o projeto “Planta Aí”, que estimula os moradores a plantar árvores em casa. Desde fevereiro, mais de 170 residências, aderiram à iniciativa. As mudas são produzidas no Bosque Municipal.
De acordo com a prefeitura, o projeto conta com espécies nativas e exóticas adaptadas, de pequeno e médio porte "
“A escolha é feita com base em estudos, observando aquelas espécies que tenham menos reincidência de dar problemas, como quebrar calçadas, invadir a fiação elétrica. É uma série de relações que está em composição urbana”, afirma Rodrigo Mas, secretário adjunto de Meio Ambiente e Serviços Públicos.